Pessoal, vou pedir licença e fugir um pouco ao tema. Tenho uma história pra compartilhar:
Olá, meu nome é Willy, sou um gato siamês e minha história é meio estranha, cheia de reviravoltas. Não me lembro de meus pais, nem de onde eu nasci, minha lembrança mais antiga é de um tempo difícil que vivi. Eu era um gato de rua, já não enxergava bem com meu olho direito, acho que por isso era tão difícil achar meu lugar no mundo, mas aquele tempo eu prefiro não lembrar. Fui resgatado por uma gente legal, me levaram até uma clínica, foi lá que eu me tornei o gato que hoje sou, fui bem tratado e engordei, fiquei um bom tempo por lá, esperando que alguém fosse me buscar, mesmo que fosse bom por lá, eu queria uma casa só pra mim, todo dia entravam cães e outros gatos, todos olhavam feio para mim. Quando já tinha desistido de esperar me buscaram, chegou um dia que me levaram dentro de uma gaiola, mas eu fiquei firme, nem reclamei, já passei por tantas que não me assusto facilmente. Quando chegamos me deram água, comida e uma patente, como se eu ainda fosse um filhote, mas não fui mal agradecido e cuidei da minha higiene como já estava acostumado a fazer. Ali fiquei por três dias e três noites, em um quartinho, aproveitando o merecido descanso. Quando finalmente fiquei entediado eu subi na mesa, e da mesa fui para a janela, lá eu achei o que estava procurando, meu lugar no mundo. Era noite, e a noite foi feita para os gatos, aos poucos fui explorando aquele território. Quando ouvi um barulho me virei para olhar, estavam me procurando e me chamando, mas justamente agora que eu me achava em liberdade! É claro que fugi, passei o resto daquela noite vagando por ali, mais três dias e três noites se passaram, o vento, as plantas, os sons, tudo maravilhoso, voltava apenas para comer, então vagava novamente. Neste tempo conheci a Petisca, uma gatinha bonita que mora na casa ao lado, ela é difícil, mas aos poucos vou conquistando-a, tem também um gato amarelo de olho nela, é claro que a gente não vai com a cara um do outro, já brigamos algumas vezes e sei que vamos brigar muitas mais. Já fazia uma semana da minha chegada e eu comecei a sentir um arrependimento, eu estava sendo egoísta porque alguém estava cuidado de mim e eu não estava retribuindo. Quando ouvi o chamado de meu tratador resolvi dar as caras, conversamos um bocado, mas não cheguei muito perto porque não queria ser gato cativo novamente. Aos poucos nos tornamos amigos, me dou bem com ele, com a esposa dele e também com a vizinha, a tratadora da Petisca. Até pedi para entrar uma noite fria, só que gato que viveu na rua não gosta muito de conforto, eu prefiro é ficar ao ar livre, só assim me sinto realmente a vontade. Aprendi a atender os chamados de meus amigos, sempre que os ouço eu corro para ver o que querem, também porque sempre ganho uns afagos e uma comida gostosa. Gente, esta é minha história, por enquanto.
